TEMPEROS DA ALMA
Segundo Sartre, o poeta sente as palavras ou frases como coisas e não como sinais, a sua obra como um fim e não como meio, mas como uma arma em combate. Nietzsche , buscou na arte uma aprendizagem para Filosofia, mais ainda: uma experiência de vida em plenitude. Assim, por acreditar que há uma cumplicidade entre Arte e Filosofia que ambas são janelas através das quais podemos vislumbrar outras possibilidades para o pensar, analisar, comparar, conceituar e provocar mudança de atitude diante do que a vida tem de diferente .Além disso a Filosofia e a Arte provocam uma ação de desnudamento da ética e estética acordando palavras adormecidas, desencantando , encantando outras tantas palavras ditas e mal ditas. Mergulhada sobre a égide da minha própria existência como uma obra de arte em construção, da capacidade de ver no outro um outro de mim mesma e como alguém que usa da mística de encantar tornando mágico o existir lançando de outros olhares para Filosofar; compreender e viver melhor ! bem, essas foram as razões que me impulsionaram a criar esse espaço. Entre!! aqui é a nossa ágora. Traga o teu tempero: sal, alho, cravo,canela, cominho, mel, limão, gengibre ,colorau, cebola , camomila, gengibre, flores, cores, sabores , perfumes para Filosofar, Poetizar...Explicar o inexplicável, no explicável se perder para se achar,há em todos a loucura de cada um Ah! Vejo flores em você! Flor do Cerrado
sábado, 22 de outubro de 2011
ArOma dE FloReS, FoLHaS SecAs: SoLiDão
PrOSeAnDo CoM RUBEM ALVES SobRe SOLIDÃO
.Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.“ Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.
Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim:
“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,que rio e danço e invento exclamações alegres
porque a ausência, essa ausência assimilada,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!“
Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que “o inferno é o outro.“ Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia... Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão:
“Ó solidão! Solidão, meu lar!... Tua voz – ela me fala com ternura e felicidade! Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas. Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes. Ali as palavras e os tempos poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar.“
E o Vinícius? Você se lembra do seu poema O operário em construção? Vivia o operário em meio a muita gente, trabalhando, falando. E enquanto ele trabalhava e falava ele nada via, nada compreendia. Mas aconteceu que, “certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela casa – garrafa, prato, facão – era ele que os fazia, ele, um humilde operário, um operário em construção (...) Ah! Homens de pensamento, não sabereis nunca o quando aquele humilde operário soube naquele momento! Naquela casa vazia que ele mesmo levantara, um mundo novo nascia de que nem sequer suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, sua rude mão de operário, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de que não havia no mundo coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal sua construção, cresceu também o operário. (...) E o operário adquiriu uma nova dimensão: a dimensão da poesia.“ Rainer Maria Rilke, um dos poetas mais solitários e densos que conheço, disse o seguinte: “As obras de arte são de uma solidão infinita.“ É na solidão que elas são geradas. Foi na casa vazia, num momento solitário, que o operário viu o mundo pela primeira vez e se transformou em poeta. E me lembro também de Cecília Meireles, tão lindamente descrita por Drummond:
“...Não me parecia criatura inquestionavelmente real; e por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos... Distância, exílio e viagem transpareciam no seu sorriso benevolente? Por onde erraria a verdadeira Cecília...“ Sim, lá estava ela delicadamente entre os outros, participando de um jogo de relações gregárias que a delicadeza a obrigava a jogar. Mas a verdadeira Cecília estava longe, muito longe, num lugar onde ela estava irremediavelmente sozinha.
O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão...
A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada ) dos outros, em celebrações cheias de risos... Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
ChEiRo De MaGiA: A suRReaLidAdE de SER.
A surrealidade de SER
Se fazer poesia é dar asas a imaginação, é fazer as palavras voarem , suspirarem no redemoinho do vento, é colorir com leveza o dia recitando todos os dias: Bons dias! raio de sol! Bom dia! moço bonito! Bom dia! menino do mato! Então, sendo assim era tudo que eles faziam. E sempre do outro lado como um passo de mágica um sussurrar também respondia: Bons dias, moça bonita! Bom dia! Raio de sol! Bom dia, poesia!!. Do outro lado onde a distância existe numa linha imaginária ela sempre dizia para si: tem coisas que não se explica a gente inspira, imagina , sente, e elas vão acontecendo fluindo como água que corre, escorre no vácuo do tempo. Tem coisas que não podem vir pela ordem somente da razão, ás vezes vem pelo pulsar do coração, pela espontaneidade, intuição. Chamam isso de essência e dizem que as crianças têm isso: falam, fazem coisas sem pudor, descoladas das convenções, sem muitas pretensões. E, foi assim que eles se conheceram não com os olhos da carne, mas com olhos da alma. O conhecimento com os olhos da alma é livre, livre de pré-conceitos, de preconceito, tempo, livre de apegos. O conhecimento com os olhos da alma é surreal, transcendente, os olhos minam a sede do horizonte, não se materializa, mas se sente, tem cheiro, cor, sabor, som. Intuir, imaginar, contemplar, sentir; é desse vazio que se preenche esse conhecimento e faz crescer o bem querer por alguém, o cuidar, o desejo de humano para humano inebriado pelo simples sussurrar: Bons dias! Raio de sol! Bons dias! Poesia! E a alma se aquece e tudo se resplandece. Bons dias raio de sol!!!
terça-feira, 18 de outubro de 2011
ChEiRo de AlgoDão-DocE: EsPiriTuALiDADe
“
Que todos os seres sejam felizes, Estejam onde estiverem, Sejam fracos ou fortes, Altos, baixos ou medianos, Pequenos ou grandes. Que todos, sem exceção, sejam felizes. Seres visíveis ou invisíveis, Aqueles que moram perto ou longe. Aqueles que nasceram E aqueles que ainda estão por nascer. Que todos os seres sejam felizes.” .
domingo, 16 de outubro de 2011
Ao saBor dA ViDa: QuAntO tEmpO se LevA pArA SeR o qUe é?
Quanto tempo se leva para ser o que é?
A cada manhã quando abro a janela do meu quarto o sol com intensos raios penetram em mim e nos mais seres viventes, lentamente me revisto das sábias palavras de Sócrates: “só sei que nada sei,” respiro e inspiro ! Inebriada por essas palavras entre um caminho e outros, uma rosa e um espinho, um amor e uma dor, vou tentando compreender-me. Desenrolando assim aos poucos a compreensão a respeito do outro. Pensar que sou o outro e o outro sou eu se constituindo por mim e em mim chega a ser extasiante nas belas manhãs ensolarada.
É duro e árduo tentar compreender a própria razão do existir, é um processo dolorido, sangrento. Assim, jogada entre as vísceras e as vicissitudes da vida alinhavada no ontem e no amanhã vejo com grandeza sublime ser um ser inacabado,pois, há sempre como recomeçar. Recomeçar é o fim do começo e o começo de um fim, então, talvez, o melhor está por vir ou não. Como uma faca amolada cortante, procuro extirpar lembranças e lembranças; fecho os olhos para lembrar que tudo é somente vaidades e vaidades. Ouço vozes murmurando dentro de mim como uma luz dizendo que quando se têm os olhos com sede do horizonte é preciso esvaziar-se das verdades construídas, despir-se, provocar a nudeza do mundo , o melhor ainda, é preciso se perder nas perguntas, na inquietude da existência. Sabido é se há algo que paraliza o mundo são as respostas. Entretanto, se de todo doce a vida assim fosse eu não seria o que estou me fazendo, não é? Uma nuvem paira diante dos meus olhos e cresce uma enorme vontade de querer que tudo acabe em nuvens para nelas eu me deitar com um jeito leve, macio e branco. Lembro-me de Nietzsche quando perguntava: Quanto tempo se leva a ser o que é? Quanto tempo dura a felicidade? Recorro a Sócrates para dizer conheça-te- a ti mesmo e conhecerá o universo, pois a respostas das coisas não estão nas coisas em si, estão dentro de ti assim a vida escorre como águas do rio. Subidamente fecho a janela do quarto já aquecida pelo os raios do sol volto a estar no mundo e com o mundo, esvaziada, e um novo dia bate por aqui a espera de uma construção de instante a instante e por assim só viver. Bom dia!! Vida!
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