TEMPEROS DA ALMA

Segundo Sartre, o poeta sente as palavras ou frases como coisas e não como sinais, a sua obra como um fim e não como meio, mas como uma arma em combate. Nietzsche , buscou na arte uma aprendizagem para Filosofia, mais ainda: uma experiência de vida em plenitude. Assim, por acreditar que há uma cumplicidade entre Arte e Filosofia que ambas são janelas através das quais podemos vislumbrar outras possibilidades para o pensar, analisar, comparar, conceituar e provocar mudança de atitude diante do que a vida tem de diferente .Além disso a Filosofia e a Arte provocam uma ação de desnudamento da ética e estética acordando palavras adormecidas, desencantando , encantando outras tantas palavras ditas e mal ditas. Mergulhada sobre a égide da minha própria existência como uma obra de arte em construção, da capacidade de ver no outro um outro de mim mesma e como alguém que usa da mística de encantar tornando mágico o existir lançando de outros olhares para Filosofar; compreender e viver melhor ! bem, essas foram as razões que me impulsionaram a criar esse espaço. Entre!! aqui é a nossa ágora. Traga o teu tempero: sal, alho, cravo,canela, cominho, mel, limão, gengibre ,colorau, cebola , camomila, gengibre, flores, cores, sabores , perfumes para Filosofar, Poetizar...Explicar o inexplicável, no explicável se perder para se achar,há em todos a loucura de cada um Ah! Vejo flores em você! Flor do Cerrado

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

CoMinHos e CaMinhos: O que é, jamais deixará de SER. "Sempre a primavera, nunca as mesmas flores"



0 que é , é – e não pode deixar de ser. Parmênides

 
Saber que alguns fatos acontecem sempre da mesma forma nos ajuda a conviver com as constantes transformações da vida. É a mãe natureza que nos dá esses sinais imutáveis, confortantes e cheios de significados. Parmênides, filósofo , é, entre os eleatas mais ilustre, se deparou com uma grande variedades de explicações sobre a physis (a natureza, o mundo natural tal como visto pelo homem). Quase tudo o que se sabe do pensamento de Parmênides provém do poema de sua autoria denominado SOBRE A NATUREZA. Essa obra trata, do caminho da verdade (Alétheia) e do caminho da opinião(da doxa). Alétheia , significa desvelamento, descoberta, o movimento pelo qual algo se mostra ao nosso conhecimento plenamente. . Assim, ao percorrermos o caminho da verdade, o homem, guiado pela razão, percebe que o QUE É, É e não NÃO PODE DEIXAR DE SER. Para Parmênides a Doxa significa Opinião, que considerava desprezível, como um ponto de vista qualquer, individual e que nunca poderia corresponder á verdade. Ao escolher o caminho do doxa, o homem se tornaria refém das opiniões, tendo seu pensamento impedido de chegar á verdade. Por outro lado, afirma que o SER é imutável e eterno, porque se sofresse uma transformação, teria de deixar de ser (isto é, tornar-se não ser) para tornar outra coisa (isto é, de não ser, tornar-se ser) Segundo , ele, o ser é; o ser não é; em outras palavras, o não-ser simplesmente não existe; é inconcebível mesmo para o pensamento, pois , se pudesse ser pensado, existiria pelo menos como idéia. A natureza oferece exemplos práticos segundo Parmênides, se pensarmos que faça chuva ou faça sol, os rios correm para o mar, seja qual ponto do planeta em que o admiramos o sol nasce no leste e morre no oeste. O céu estará sempre acima de nossa cabeça e os pés plantados no chão; as ondas vão e vêm, repetindo infinitamente a mesma coreografia. A natureza sempre repete o caminho natural. Podemos aprender com ela que tudo é um processo, que podemos ser mais felizes se seguirmos o fluxo natural das coisas e não tentarmos reter o que precisa ser transformado. E, vale lembrar a máxima chinesa: SEMPRE A PRIMAVERA, NUNCA AS MESMAS FLORES, sintetiza o delicado e sutil relacionamento entre o mutável e o imutável no Universo e em nossa vida. Compreender as idéias de Parmênides como de Heráclito é importante para nossa existência, por um lado Parmênides diz: O que é, é, jamais deixará de SER, ou seja, há coisas que são imutáveis; Heráclito defende a idéia de que tudo é um constante devir, transformação, mudança, a vida é dialética, há coisas que são imutáveis e conclui que: Não podemos banhar duas vezes no mesmo rio. Escute a tua alma, e seja feliz! Sem perder as leis da natureza que convivem com coisas mutavéis e imutáveis . Rosinha Flô

sábado, 4 de dezembro de 2010

TeMpErOs da Alma : CoMo VivEr como As FLoReS ?

 
Como viver como as flores? Quem sabe mediante a contemplação da natureza, momentos de meditação e estado reflexivos  fluidificados pelas cores, aromas, energia, harmonia , o Ser Humano possa  aprender um pouco mais com elas olhando para nós mesmos, exercitando as nossas virtudes , o bem querer de si. Exorcizando as energias negativas emanadas pelos encontros e desencontros durante o caminho de nossa existência, se refazendo a cada manhã ao estar com o outro. Vislumbre essa possibilidade de VIVER COMO AS FLORES.

                                                  ViVeR cOm aS FlOrEs

- Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes. Sinto ódio das que são mentirosas. Sofro com as que caluniam.
- Pois viva como as flores - advertiu o mestre.
- Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo.
- Repare nestas flores - continuou o mestre, apontando os lírios que cresciam no jardim - Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor das pétalas. É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros os importunem. Os defeitos deles são deles, e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora...Isso é viver com as flores.
                                                                                                     Autor desconhecido.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

aLmA apImEnTaDa: Nietzsche e o ressentimento

Durante a nossa existência encontramos pessoas com variados tipos de caráter, nos espantamos, decepcionamos, sofremos e nos indignamos. Muitos filósofos tomaram essas diversidades de caracteres como objeto de reflexão filosófica, Nietzsche foi um desses filósofos que investigava a alma humana se dedicando a analisar um dos grandes tormentos da alma: o ressentimento.

Assim, caminhando nesse universo humano pergunto: Quem de nós de certo modo já não foi afetado por esses afetos negativos? Como: raiva, ódio, inveja muitas vezes achamos por bem exteriorizá-los, talvez porque avaliamos que estamos errados ou talvez porque avaliamos as razões daquele que nos causou mal

Diante desse turbilhão de sentimentos que ora nos tira do chão nasce o ressentido e o ressentimento. Ambos caminham em silêncio, mas nem sempre é assim. Segundo Nietzsche, o silêncio daquele que foi usurpado pode degenerar em ressentimento, e a principal característica do ressentido é ruminar esse acontecimento e planejar, por longo período, uma vingança, o que ele chamou de vingança adiada. O interessante nessa relação é que se o ressentido não foi capaz de se defender no momento do incidente, também não será capaz de consumar a tua vingança, palavras de Nietzsche. No século XXI o nível de violência contra a mulher especificamente tem crescido e muitos frutos de vingança, ressentimento. Será que Nietzsche diria que é isso é uma vingança adiada?Entretanto, ele toma o ressentimento como característico dos escravos, ou seja, daqueles que não afirmavam sua vontade e o chama de covarde o ressentido, pois não consegue valer seus desejos, não luta pelos seus sonhos.

Nietzsche usa a expressão psicanalítica “covardia moral” para descrever a impotência daquele que ressente. Resta-nos a perguntar de onde viria essa impotência? Seria o ressentido filho preferido dos pais e exige do mundo a mesma coisa? Seria porque seus pais o preservaram dos desafios da vida? Talvez seja essa uma receita óbvia para o fracasso.







sábado, 27 de novembro de 2010

ChEiRo de CrAvo E CanELa: AS PALAVRAS E AS COISAS

AS PALAVRAS TÊM ASAS E PODERES...


SINTO O CÉU NA TERRA,

E A TERRA LÁ NO MAR,

SINTO O VENTO SOPRAR,

E AS BORBOLETAS A VOAR E A VOAR...

SINTO CORES NAS PALAVRAS,

AZUL,

VERDE

A COR DO MAR!

AMARELO,

VERMELHO

E CHEGAM E COMEÇAM A ME ENFEITIÇAR!!!

SINTO CHEIROS NAS PALAVRAS,

ROSA,

JASMIM,

MADEIRA,

FLOR-DE – LARANJEIRA

DE LONGE E DE MUITO LONGE ESSE CHEIRO A SUSPIRAR:

AH! COMO FOI BOM TE ENCONTRAR

SINTO SABOR NAS PALAVRAS,

AMARGAS.

DOCES,

FEL E MEL,

TRISTEZAS E ALEGRIASS,

QUE JAMAIS IRÃO SE ENCONTRAR UM DIA,

SINTO O SOM NAS PALAVRAS

PAAA...

LAA...

VRAAS!!!!

CHEIAS DE ENCANTAMENTOS E ALEGRIA !!!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

CoMinHos e CaMinhos: O DocE Pensar

Cavalheiros da anunciação, assim eu os chamo três pensadores de tempos longíguos e diferentes que seduzem pela suas sensibilidades de falar do humano de forma humanizadora, humanizante com candura, empreguinados pelo cheiro da terra, das flores, da água que corre e do vento que sopra o nosso espírito, a voz do cosmo. Esse cosmo que nos aproxima e ao mesmo tempo nos distância, mas que nos leva a irmandade, pois nos alimenta, acolhe, abriga nas noites silenciosas, nos dias sombrios, nos dias chuvosos e nos dias de sol, nas noites estreladas e naqueles dias de luar.
Paulo Freire, Edgar Morim, Leonardo Boff nos conduzem a reflexão para estes dias certos e incertos a pensar na relação do homem com o meio ambiente e falam a partir do nosso chão que é a “educação” este chão árido e ardiloso nos coloca face a face como lapidadores desse homem capitalista tão orgulhoso e vaidoso que não abre mão da sua condição de Senhor da terra.
Esses cavalheiros anunciam que a nossa casa (cosmo) está ameaçada, agonizando e sutilmente sussurram que muito mais que contemplar é preciso mudança de atitude. Leonardo Boff em um artigo: Miséria na cultura: ”depressão e decepção” traz par á tona a reflexão da inversão de valores que vivemos e provoca um repensar no nosso jeito de viver indagando : para onde vamos? Ninguém sabe. Somente sabemos que temos que mudar se quisermos continuar. Mas já se nota por todos os cantos, emergências que representam os valores perenes da “condição humana”. Precisa-se fazer o certo: o casamento com amor, o sexo com afeto, o cuidado para com a natureza, o ganha-ganha em vez do ganha-perde, a” busca do viver” base para a felicidade que hoje é fruto da simplicidade voluntária e de querer viver bem ter menos para ser mais (Boff)
Em outro artigo onde faz uma referência a Dr. Zilda pelo seu trabalhão extraordinário enfatiza os valores do capital espiritual que sustentaram a sua prática, mais uma vez Leonardo Boff reforça a convicção de que não sairemos da crise de civilização atual se continuarmos com os mesmos hábitos e os mesmos valores consumistas e individualistas que temos. E lembra que a Dr. Zilda dizia que
Multiplicar o saber implica repassar às pessoas simples os rudimentos de higiene, o cuidado pela água, a medição do peso e a alimentação adequada às crianças. Esse saber reforça a auto-estima das pessoas e confere autonomia à sociedade civil.
Multiplicar a solidariedade que, para ser universal, deve partir dos últimos, buscando atingir as pessoas que vivem nos rincões onde ninguém vai, tentar salvar a criança mais desnutrida e quase agonizante.
Essa solidariedade é a que menos existe no mundo atual.
Multiplicar esforços, envolvendo as políticas públicas, as ONGs, os grupos de base, as empresas em sua responsabilidade social, enfim, todos os que colocam a vida e o amor acima do lucro e da vantagem. Mas, antes de tudo multiplicar a boa-vontade generosa.
Segundo Boff são estes conteúdos do capital espiritual que devem estar na base da nova sociedade mundial que importa gestar. O século XXI será o século do cuidado pela vida e pela Terra ou será o século de nossa autodestruição. Até agora globalizamos a economia e as comunicações.

Temos que globalizar a consciência planetária e multiplicar o saber útil à vida, a solidariedade universal, os esforços que visam construir aquilo que ainda não foi ensaiado. Amor e solidariedade não entram nas estatísticas nem nos cálculos econômicos, mas são eles que mais buscamos e que nos podem salvar.

No seu livro “ Cabeça bem feita” Edgar Morin traz o pensamento sobre a necessidade de uma reforma no pensar, que,conseqüentemente, modificará o ensino. Um grande desafio que conduz os indivíduos a pensar e repensar em como levar isso a termo. Naturalmente que se esse objetivo fosse atingido, se fosse possível espalhar e difundir a todos os setores da educação, uma nova maneira de pensar, a reforma do pensamento, modificaria a sociedade.
As portas se abririam para a construção de uma educação pluralista, democrática e que, com certeza garantiria uma nova visão para as futuras gerações.
Todo esse movimento de reformar o pensamento reflete sobre o mundo, altera os horizontes do olhar sobre a terra, sobre a vida, a humanidade se modifica, as artes, as histórias traduzem novas alternativas, as gerações adolescentes dividem outras perspectivas, a cultura se desvirtua e acima de tudo, o conhecimento se traduz de forma mais significativa.Para o ser humano, passar de indivíduo a sujeito deve ultrapassar a dimensão biológica, chegar ao conhecimento e atingir a complexidade. A alusão sobre a educação como transmissão de conhecimentos, quando, não basta uma cabeça bem cheia, melhor uma cabeça bem feita. Melhor saber o que se deve saber. Traz também, como ensinar a viver, como ensinar a compreensão das emoções para uma formação que realmente favoreça a autonomia do espírito. Uma educação que leve o homem a ser cidadão responsável e que compreenda seu espaço e o espaço que o envolve. O ensino como arte de ensinar, transmitir o saber e a cultura, permitindo compreender as condições do homem, do mundo e ajudando-o a viver melhor. O que a reforma do pensamento quer é educar os homens dentro de uma visão sistêmica, onde os conhecimentos estejam ligados. Onde o conhecimento envolva o conhecimento, onde haja uma união entre o pensamento científico e o pensamento humanista, onde se trabalhe com um sistema aberto, vive vendo e enfrentando as incertezas dentro de uma visão transdiscplinar.
Paulo Freire contribui com sua teoria propondo em suas teses uma revolução cultural. Para ele, a educação e o sistema de ensino não modificam a sociedade, mas a sociedade é que pode mudar o sistema instrucional. O sistema educacional pode ter um papel de destaque numa revolução cultural. Ele chama de revolução a consciente participação do povo. Logo, a pedagogia crítica, como uma constante, contribui para revelar a ideologia esquecida na consciência das pessoas. Segundo Freire todo educador deve acreditar que é possível ocorrer mudanças. Todos devem participar da história, da cultura e da política. Ninguém deve ficar neutro, nem estudar por estudar. Todos deveram fazer perguntas, não podemos ficar alheios. “Ser rebeldes e não resignados”.“É a partir deste saber fundamental: mudar é difícil mas é possível, que vamos programar nossa ação político-pedagógica, não importa se o projeto com o qual nos comprometemos é de alfabetização de adultos ou de crianças, se de ação sanitária, se evangelização, se de formação de mão-de-obra técnica.” (Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia) assim, o humanismo existencialista influencia de forma determinante a criação da perspectiva humanista em sua pedagogia. De maneira otimista, Freire considera o ser humano um ser-no-mundo e pela sua existência um ser-com-o-mundo. Os três cavalheiros da anunciação se coadunam, pois trilham pelo mesmo caminho quando se reportam a questão do saber pensar,questionar,rever valores, apontando sempre por aquilo que é sublime no ser humano,”a humanização”, solidariedade, o bem querer para o bem existir.





















TeMpO AmArGo: A FINITUDE DO SER

Na atualidade evita-se falar de morte, bem como de ver o corpo do moribundo, pois isto nos traz à consciência e a idéia de nossa própria finitude. Em função desta interdição da morte é comum o círculo de relação de o moribundo ocultar ao doente a gravidade do seu estado buscando assim poupá-lo desta provação. Mas, o que é a morte?. A morte sempre foi caracterizada pelo mistério e pela incerteza e, conseqüentemente pelo medo daquilo que não se conhece, estes mistérios desafiaram e desafiam as mais distintas culturas, as quais buscaram respostas dos mitos, na filosofia, na arte e nas religiões para tornar compreensível o desconhecido com o intuito de remediar a angustia gerada pela morte.  A morte, única certeza que temos na vida , é quase sempre tratada num tom solene, pesado” temeroso. José Luiz de Souza Maranhão diz que não se morre mais como antigamente, a partir desse enunciado a vida vai escorrendo na busca da compreensão da problemática da existência do ser humano, o encontro com o desconhecido. Em tempo distante era importante a presença dos parentes, amigos e vizinhos e que os ritos da morte se realizassem com simplicidade, sem dramaticidade ou gestos de emoções excessivos. O moribundo dava as recomendações finais, exprimia suas últimas vontades, pedia perdão e se despedia. O sacerdote comparecia e toda cerimônia fúnebre havia ritos a ser seguidos: fechava-se as janela,acendiam-se velas, aspergiam água benta na casa, cobriam espelhos, paralisavam relógios, os sinos dobravam. Os parentes do moribundo usavam vestimentas negras, não participação da vida social , representavam expressão de dor das saudades e dos dilaceramento da separação, eram respeitadas por um período para a cicatrização da ferida e para a reintegração dos parentes às condições normais da vida. Assim se morreu durante século. Num enfoque diferente, José Luiz de Sousa Maranhão, aborda , de forma crítica e provocante, questões importantes com a “repressão da morte” na sociedade capitalista á medida que a interdição em torno do sexo foi se relaxando , a morte foi se tornando um tema proibido. Assim, para uma sociedade dirigida para a produtividade e o progresso, não se pensa na morte e fala-se dela o menos possível , prolongar a vida é mais importante, para José Luiz de Souza Maranhão tornar a morte como um tabu é uma estratégia do capitalismo para mascarar o sistema de injustiças sociais. A sociedade ocidental contemporânea reduziu a morte e tudo a que está associado: um nada, ao negar a experiência da morte e do morrer , a sociedade realiza a coisificação do homem. Em seu livro a História da Morte no Ocidente, Philippe faz um tratado no ponto de vista histórico e sociológico de como o homem se comporta diante da morte, bem como a transformação dos ritos mortuários. Segundo Philipe pensar na morte pode nos ajudar a ceitá-la e a perceber que ela é uma experiência tão importante e valiosa quanto qualquer outra ao abordar este tema nos leva a caminhar de forma leve estabelecendo um romance de vida de forma poética e vai adentrando nesse universo das atitudes do homem diante da morte nos situando a partir da do que chama morte domada ( em seguida da morte de si mesmo, a morte do outro, a morte interdita.) . Diante do exposto é possível caminhar no vôo de possibilidades que tanto a literatura como a filosofia nos faz mergulhar ao tratar de qualquer tema e aos poucos irmos descobrindo que a beleza da arte, da literatura não está somente nos dedos de quem escreve, mas também no olhar de quem a vê.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

FILOSOFANDO: SABORES ARDENTES - PIMENTA COM GENGIBRE : TEMPERANÇA DA ALMA

trago em mim as dores do mundo e a delícia e a dor de ser o que 'SOU"

O aconchego da saudade é a memória, é lá que está a ausência de quem fica...vuoopt! é a brisa do vento que corre e leva o meu pensamento.



Não tenho certeza de mais naada!duvido até da minha existência.

domingo, 14 de novembro de 2010

TeMpEro da ALmA: MetAfíSiCa

Há um enorme abismo entre filosofia e poesia, mas há um encontro  entre elas   no meio desse abismo; se encontram ao tratar da existência humana. Poesia não é Filosofia e Filosofia não é poesia. Poesia é livre, é encantamento, voa, tem liberdade espiritual. A Filosofia é árida, lida com as emoções do Ser Humano mais racional, tem métodos, disciplina, para alguns é Ciência, Vejamos esse encontro da poesia e da filosofia, do poeta e do filósofo na poesia  de Fernando Pessoa: METAFÍSICA. Nessa poesia Fernando Pessoa tece longas indagações muito presente na mente humana no século XXI, a busca da compreensão dos mistérios que nos cercam.  DEUS,  FÉ e CIÊNCIA , RAZÃO.

FERNANDO PESSOA

( ALBERTO CAEIRO )

Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei.
Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa. Metafísica?
Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

O SaBor do PenSar: PenSar PoR Si

Entre delírios e delícias faço sexo com a palavra, tenho orgasmo com o tempo e gozo com a vida. Rô

O F ilósofo Schopenhauer em sua obra: “Pensar por si” dizia que “ler e aprender são coisas que qualquer indivíduo pode fazer por seu próprio livre-arbítrio”, mas pensar não. O pensar deve ser incitado como o fogo pelo vento; pensar segundo Rubem Alves é voar sobre o que não se sabe e não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas. Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre terra firme. Entretanto, somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido do conhecimento. Ah! Se não fossem as perguntas, as belas e complicadas perguntas, talvez não nos espantássemos com a realidade, não contemplaríamos a natureza, não faríamos ciência.

Pensar é caminhar por este mar desconhecido do conhecimento, enveredar por caminhos sem princípios dogmáticos possibilitando a indignação, o espanto, é provocar uma ação crítica ativa constante, é exercer e construir cidadania. O pensar pode ser puramente objetivo ou meramente subjetivo. O último existe em questões que nos dizem respeito pessoalmente. O interesse objetivo encontra-se somente nas cabeças que pensam por natureza, para as quais pensar é tão natural quanto respirar – Assim, a beleza de uma tela, não está nas tintas, mas na mente de quem a pensou ( Ruben Alves). Vamos pintar um mundo melhor para todos !, qual é a tua cor?

sábado, 6 de novembro de 2010

ChocoLatE CoM PiMeNta: O ENCONTRO

Ontem estive contigo. Hoje trago na memória o vivido e passo a refletir sobre esse encontro e outros tantos que já tive. Chove lá fora e aqui dentro de mim, estou encharcada de sentimentos de um tempo que já se foi. Tenho os olhos de estrelas, luz de raios de sol, aconchego e sensualidade da lua, sentimentos de ventos e o desejo de viver como uma imensidão de um céu, calado, espantoso e misterioso. Sinto-me como um pássaro preso na gaiola, acorrentada por esse sentimento que eu nem mesmo sei por quê. Os encontros me instigam sempre me instigarão. Tenho comigo que sempre estou além da presença de um corpo físico e me faz ver, sentir coisas que imprimem na minha alma uma tatuagem como marcas de um tempo. Tenho um pedaço de ti dentro de mim e não é questão de gênero e sim: humano demasiadamente humano. Não sei o porquê dos encontramos, e para quê? O que sei, se, é que sei, e me custa acreditar em determinadas explicações dos encontros entre os humanos, mas não me custa duvidar de tudo, e assim posso criar o mundo das possibilidades, dos mistérios que nos cercam. ““ Na minha vã filosofia não basta encontrar é necessário pensar sobre, na intenção talvez de fazê-lo ter sentido, então, me lembro das palavras de Sócrates:” Uma vida que não é examinada não merece ser vivida” examinar, vivê-la banhar-se nesse mar de dores e alegrias que é essa vida efêmera e talvez a caminho de lugar algum do nada. Se, por ora nos auto flagelamos, nos apunhalamos, e o sangue escorre pelos olhos e tudo escurece como dizia um poeta “as coisas muito claras me noturnam” (Manoel de Barros) nos perdemos, descontrolamos, a clareza do dia, a escuridão da noite, a escuridão do dia e a clareza da noite tudo se mistura, nesse mesmo instante exalamos o cheiro da nossa alma para que com ela saiamos de braços dados e só depois sorrir. Choramos, sorrimos, cantamos, descontrolamos, amamos, odiamos, nos encontramos. Onde está a beleza do encontro? No humano diante do humano, na presença e ausência dos muitos EUS em Nós, na espiritualidade das coisas que queremos ser e não somos o que não somos deixamos escapar e demonstramos ser, na mansidão das coisas muito claras, mas que nos noturnam. Na beleza de um toque, de um sussurro, um afago, de uma lágrima, um sorriso, que seja por um segundo, minuto, mas que se arrasta pela eternidade. De humano para humano, da dor, do amor e da sensibilidade de sermos o que somos ou pensamos ser.



quinta-feira, 4 de novembro de 2010

DocE ViDa: Mémórias Inventadas

As asas de papel de Manoel de Barros começa pelo chão e se prolonga pelas memórias inventadas, com tom e cor, sabor embevecido de raízes e asas. Lá me encontrei com o divino vindo feito um vento, tropeçando em mim como um furacão . Ah! é a saudade que bate, lembro-me de Cazuza ao rememorar sua infância: (...) eu hoje acordei pensando, pensando... no tempo que eu era criança e de um passado que me traz uma lembrança... Subitamente em meio aos delírios do pensar recordo de uma frase sobre saudade: “Saudade é um amor que fica” algo doce e amargo talvez pela sua invisibilidade e individualidade. Recorro ao livro de Manoel de Barros: Memórias Inventadas que traduz de forma suave, doce esse sentimento que ora nos tortura com tamanha incompletude do ser. É, contagiante ver esse encontro entre literatura e filosofia criando imagens, construindo conceitos, revendo a vida e nos fazendo deitar nas nuvens, pisar macio e beijar o tempo. Fique nu e entre nesse túnel.

SOBERANIA:

Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que tentara pegar na bunda do vento – mas o rabo do vento escorregava muito e eu não consegui pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado e disse que eu tivera um vareio na imaginação. Mas que esses vareios acabariam com os estudos. E me mando estudar em livros. Eu vim. E logo ali alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio. E dei de estudar para frente. Aprendi a teoria das idéias e da razão pura. Especulei filósofos e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande saber. Achei que os eruditos nas suas altas abstrações que esqueciam das coisas simples da terra. Foi aí que encontrei Einstein ( ele mesmo o Albert Einstein). Que me ensinou esta frase: A IMAGINAÇÃO É MAIS IMPORTANTE DO QUE O SABER. Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu olho começou a ver de novo as pobres coisas do chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as próprias asas. E vi que o homem não tem soberania nem pra ser um bentevi.

Memórias Inventadas . As infâncias de Manoel de Barros.



domingo, 17 de outubro de 2010

SaBoR de MeL cOM LiMão: AvATaR EColóGico

“Há algo de estranho e admirável no mundo, o surgimento do Avatar da contemporaneidade, ou seja, o discurso da mídia em relação as questões ecológicas”. A visão de um admirável mundo novo; em nenhum momento da história o discurso ambiental esteve tão em evidência aos olhos da civilização humana. Essa civilização que ao longo do tempo manteve uma relação com a Terra de exploração exacerbada, indo além da retirada para sua existência material, cultural e simbólica. Nesse admirável mundo novo os discursos se materializaram, corporificaram, circulam, são ideologicamente construídos, marcados por uma historicidade e silenciosamente sempre apontando em direção a vários movimentos de sentidos. Palavras, tais como: ecologia, sustentabilidade, economia solidária, selo verde, fazem parte desse jogo simbólico de poder, de multiplicidades de sentidos, do dito e do não dito que disseminado pela mídia vão criando a falsa ilusão que num mundo capitalista a relação entre a natureza e ser humano é uma unidade possível como se dependesse de um pequeno manual ecológico, siga as instruções. Desconstruir essa idéia que a mídia veicula de forma ingênua e piegas é o que predisponho analisar, problematizando o discurso ambiental de um admirável mundo novo ecologicamente correto como se fosse possível apenas com atitudes e conselhos como: amor pelos animais e plantas, use protetor solar, compre materiais recicláveis, não desperdice água, apague a luz quando sair e tantos outros manuais de sobrevivência que circulam na sociedade. Todas essas sugestões são boas e aceitáveis e ás vezes necessárias, porém perder de vista o cerne ecológico, isto é: a historicidade dos movimentos ecológicas torna impossível compreender a serviço de quem os discursos veiculados pela mídia apontam, bem como da importância dos movimentos sociais em determinado momento da história. Desmascarar o discurso da maquiagem verde de selo verde construido nesse século, de sustentabilidade, é provocar inquietações questionando se esses discursos advêm de atitudes ética ou econômicas?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

ManJaR dOs DeUses: Aos Mestres com carinho, o que temos para comemorar?



A educação, na teoria de Bourdieu, perde o papel que lhe fora atribuído de instância transformadora e democrátizadora das sociedades e passa a ser vista como uma das principais instituições por meio da qual se mantêm e se legitimam os privilégios sociais. Trata-se, portanto, de uma inversão total de perspectiva. Bourdieu oferece um novo quadro teórico, segundo ele a escola e o trabalho pedagógico por ela desenvolvido só poderiam ser compreendidos, na perspectiva sociológica, quando relacionados ao sistemas das relações entre as classes. A escola não seria uma instância neutra que transmitiria uma forma de conhecimento intrinsecamente superior ás outras formas de conhecimento, e que avaliaria os alunos com base em critérios universalistas; mas , ao contrário, ela é concebida como uma instituição á serviço da reprodução e da legitimação da dominação exercida pelas classes dominantes cumpriria assim, simultaneamente, sua função de reprodução e de legitimação das desigualdades sociais.
É assustador, e provocante as idéias de Bourdieu, pois somos representantes dessa instituição chamada ESCOLA, se tomarmos a provocação de Bourdieu veremos a educação, de certa forma, reproduzindo as desigualdades que se verificam na sociedade, por meio de estratégias de dominação, da burocratização dos sistemas escolares, que se consolida por meio das políticas públicas. Dito isso, vale retomar um pouco a reflexão sobre o papel do professor na sociedade atual: o sistema educacional está formando o professor para exercer efetivamente a função de educador? Partindo do pressuposto de ser a escola uma agência socializadora, o professor pode ainda comprometer-se com a educação emancipadora, como Paulo Freire defendia ? Ou seja, tornar-se sujeito de crítica e transformação, visto que a sociedade atual não minimiza os problemas da profissão, desqualifica a profissão e não dá respaldo para uma efetiva atuação do professor como educador ? Será que a nossa função é só sonhar com um admirável mundo novo?
Aos mestres com carinho, o que temos para comemorar? Para suavizar esse estado de delírios pedagógicos, de acorrentamento da alma recorro ao mestre, poeta Fernando Pessoa para dar raízes e asas para os que amam a educação e sonham com uma educação emancipadora e ora ou outra possam dizer:

Eu tenho uma espécie de dever, de dever de sonhar,
de sonhar sempre,
pois sendo mais do que
um espectador de mim mesmo,
Eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E assim me construo a ouro e sedas,
em salas supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas
e músicas invisíveis.
                                Fernando Pessoa & Bourdieu e Educação







quarta-feira, 6 de outubro de 2010

PARA FILOSOFAR: Cheiro de CrAvo e CaNela " O FAZEDOR DE AMANHCER"

Recentemente li a obra de Manoel de Barros, um bálsamo para alma, um aconchego para os corpos inquietos, um assombro para os olhos, um poeta de letra miúda, gente da gente, pantaneiro, homem de gosto simples e de alma imensa que não basta a si mesmo. Passendo pelas ruas de Campo Grande, cidade morena, vi inúmeros outdoors homenageando o tão ilustre poeta Manoel de Barros com citações de cunhadas por  ele mesmo. Pascoal Soto imbuido pelo espiríto poetico tece alguns comentários sobre a obra de Manoel de Barros: O fazedor de amanhecer, dizendo que era primavera de 2000 quando Manoel de Barros, através de uma carta, anunciou seus últimos inventos. Em letra miúda, o poeta declarava ter engenhado três máquinas revolucionárias:"(...) uma manivela para pegar no sono, um fazedor de amanhecer para usamentos de poetas e um platinado de mandioca para o fordeco de meu irmão". Como se não bastasse, Manoel ainda falava de como bernardo-árvores transformou-se em passarinho e foi viver no cerrado, forma de araquã. Mas a letra miúda do poeta ainda guardava outras surpresas, outras revelações. Manoel havia descoberto o maior dos presentes, ele revelava Deus: o amor. Emocionado e agradecido com o presente, ele revelava como chegou a passar as mãos nos cabelos de Deus e, entre parênteses, concluía: "Se a gente não der o amor, ele apodrece em nós". Quantas notícias... quantas lembranças...quantas milagres estéticos... E agora? quem deveria de traduzir os delírios verbais de Manoel de Barros, essas imagens poéticas que me mais parecem habitar uma outra dimensão da vida?
Ziraldo foi convidado para ilustrar  a obra de Manoel de Barros, ele topou. O poeta Manoel de Barros que andava muito com seu próprio silêncio. Ziraldo concordou, ao que Manoel respondeu; "Se o Ziraldo topou fazer a ilustração, eu também ficarei ilustre' O fazedor de amanhecer é o registro da união desses dois gêneros"maluquinhos". Dois grandes homens que nunca deixaram de ser crianças.

domingo, 26 de setembro de 2010

DoCe ILuSão e AmaRgA UtOpiA: CiDaDAnIA

O sociólogo británico Thomas Humprey Marschal conhecido principalmente pelos seus ensaio entre os quais o que mais se destacou “cidadania e classe social, publicado em 1950. A partir desse ensaio deixou registrado uma série de análises sobre o desenvolvimento da cidadania como desenvolvimento dos direitos civis , seguidos de direitos políticos e dos direitos sociais, nos séculos XVIII,XIX e XX. Foi ele que intrduziu o conceito de direitos sociais, sustentando que a cidadania só é plena se é dotada de todos os três tipos de direitos e esta condição está ligada á classe social provavelmente seja o fator de obstáculo do exercício pleno da cidadania de ontem e de hoje. Segundo, Marchall analisando o percurso dos direitos de cidadania que , apesar da resistência dos grupos dominantes, foram sucessivamente conquistados e incorporados. Como:

 A instituição da Cidadania Civil consagrou, no século XVIII, as liberdades individuais, como as de expressão, de pensamento e de credo religioso;

 A Cidadania Política constituiu-se no século XIX, a extensão do direito de voto e de participação dos cidadãos no exercício do poder político;

 A Cidadania Social e Econômica consagrou no século XX os direitos á educação, á saúde, ao sálario digno e á terra.

 Evidentemente, no Brasil todas essas conquistas , esses reconhecimentos não tornou tais direitos reiais imediatamente, pois eles são objetos de lutas cotidianas

Diante do nosso pequeno olhar as coisas parecem estar no mundo ao bel – prazer , entretanto, é necessário percorrermos os caminhos das pedras para compreendermos e fazermos as nossas escolhas e percebermos que o mundo muda quando eu mudo as minhas atitudes e muitas vezes nos engajando em movimentos sociais ou não, se hoje desfrutamos dessas conquistas analisadas por Marschal foi devido a participação da coletividade visando o bem comum. O que mais nos aflige nesse século? Que direitos temos que construir? De que exercício de cidadania é necessário nos impregnarmos? Se você pensou na relação da Ecologia e cidadania, você é um dos nossos que provávelmente tem sofrido com o resultado das queimadas, calor, seca, afetando a saúde, o bem estar de todos. Assim, me reporto nos anos de 1960/1970 , os ecologistas eram considerados pessoas sonhadoras e utópicos. Muitos acreditavam que suas idéias eram obstáculos , empecilhos para o desenvolvimento econômico, uma vez que sempre fizeram sérias críticas ao consumismo e a exploração abusiva dos recursos naturais do planeta. Agora, diante dos graves desafios que se apresentam especialmente este ano o Estado de Mato Grosso vivencia dias de intenso calor, seca, queimada, a fauna e flora cozinhando conosco, dia e noite se confundem.
O mundo melhor é possível?. Carlos Minc, em seu livro: Ecologia e Cidadania, vislumbra a esperança de que o século XXI incorpore a Cidadania Ecológico como direito real ao ambiente saudável, á saúde ocupacional e á qualidade de vida. Uma nova era, na qual a natureza será tratada como aliada e não como inimiga, se aproxima, e o meio ambiente será considerado patrimõnio genético e social, base da vida da população.
Quando de fato o ser humano perceber que : “TUDO E UNO”, como disse Tales de Mileto em outro contexto, quando as sociedades incorporarem de fato a Cidadania Ecológica, os direitos dos índios, dos seringueiros, o direito ao ar puro, ao sol e ao verde serão tão cristalinos quanto o são hoje, e os direitos á informação universal. Então, de fato compreenderemos o que é Cidadania Ecológica.
E para aqueles que negarem a não instalarem tratamentos de efluentes industriais ou a elaborar audiências públicas relatórios de impacto ambiental de suas atividades, o que descumprem a legislação ambiental e agridem os ambientalistas, acreditem estão desempenhando o mesmo papel daqueles que resistiram á libertaçao dos escravos, extensão de voto ás mulheres e á educação, momentos que foram cruciais para o atraso na história da constituição da cidadania.
A ecológica é representada diferente para cada classe social, pois a percepção está ligada ás experiências sociais concretas, portanto, não basta reduzi-la somente á idéia de amor aos animais, a conselhos: apague a luz, não desperdice água, proteja sua pele, jogue lixo no lixo e tantos outros. Segundo Carlos Minc, a ecologia foi banalizada pela Mídia, tem sido tratada de forma caricatural e ingênua dificultando o conhecimento de luta ecológica, das histórias de resistência e de aliança com movimentos sociais que possibilitaram, entre outras coisas, transformar tecnologia de grandes fábricas, substituir combustíveis poluentes e garantir a sobrevivência de nações indígenas.

“Ecologia sem história e sem conteúdo torna impossível compreender a luta do serigueiro Chico Mendes - a defesa dos seringais do Acre e dos povos da floresta - , bem como a causa de sua morte a mando dos fazendeiros da região.”(palavras de Carlos Minc)

“Ecologia não é receita de bolo” (Carlos Minc)

“A poluição não é democrática “ (Carlos Minc)

Para finalizar pense nisso: Aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes; mas não aprendemos a simples arte de vivermos junto como irmãos. Martin Luther King













ArOmA de MeL com LiMãO: A InTerEzA do SeR




           

Quarto de badulaques, obra de Rubem Alves lá encontrei a intimidade, a instaneidade de seu olhar, o desassosego de suas impressões da relação: Homem e Natureza. Pensamentos inquietos que povoam o dia-a-dia nosso, que nos assaltam antes de dormir, ouçam, degustem, sintam, cheirem.
                       

  O SONHO DA NATUREZA
Penso que a natureza sonha. Montanha, florestas, mares, ares, rios, lagos, nuvens, cachoeiras, animais, flores ,todos sonham um mesmo sonho. Sonham que chegará o dia em que os seres humanos desparacerão da face da terra. Pois os dinossauros não desapareceram? Quando isso acontecer, será a felicidade! a natureza estará, finalmente, livre dos demônios que a destroem. A natureza, então tranqüilamente, sem pressa, se curará das feridas que nós lhe causamos.





sábado, 25 de setembro de 2010

ChEiRo de CrAvo E CanELa: A SuStEnTabiLiDaDe do SeR

A CARTA DO ÍNDIO


“O que ocorrer com a terra,

recairá sobre os filhos da terra.

Há uma ligação em tudo.”



Em 1854 o chefe índio Seattle enviou uma carta ao Presidente dos Estados Unidos em resposta a sua proposta para comprar as terras onde a tribo morava. A visão ecológica (a palavra ecologia nem existia na época) dele é surpreendente.

Leia a carta na íntegra:

 "Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa

-idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho

-da água, como é possível comprá-los?
Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
 
Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.

Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós.

O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nósO Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.
Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.

Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.

Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.
Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos.
E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.

Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir.
Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.

Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.

Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.

O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.
Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e ferí-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.

Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.
Onde está o arvoredo? Desapareceu.

Onde está a águia? Desapareceu.

É o final da vida e o início da sobrevivência"



terça-feira, 21 de setembro de 2010

SABOR E DOR: A InSusTenTabILidAdE LevEza do SeR


OS RIOS MORREM DE SEDE.

AS FLORESTAS ESTÃO COM CÂNCER PULMONAR E GEMEM DE DOR.



O HOMEM?? O HOMEM É O LOBO DO HOMEM (Thomas Hobbes)

sábado, 18 de setembro de 2010

O oDor, A DoR , A cOr e o SaBoR: PoLíTiCa - EspeTácULo e PoDeR

Tenho me exorcizando para pensar com clareza, normalmente consigo. Mas, diante do espetáculo pré-eleitoral minha razão entra em colapso. Minhas idéias são surrupiadas. Subitamente me exorcizo, invoco, em meu socorro por aqueles que pensaram racionalmente sobre a política: Platão, Aristóteles, Maquiavel e tantos outros. Homens com idéias maravilhosas. Mas, não me socorre, o que acontece no nosso país está muito além da imaginação, do bem e do mal. O que me leva a concordar com Rubem Alves que a nossa política não pode ser entendida com cabeça de filósofo, mas sim com cabeça de Bufão. E isso George Orwell fez muito bem quando chegou semelhante conclusão e escreveu o livro: A revolução dos bichos. Assim, nessa perfeita insanas visões sobre política tenho que admitir que os tais políticos profissionais antes de ser o que são foram cidadãos comuns, muitos são pais, mães, avós, filhos, amigos, namorados, amantes, profissionais de diversas áreas e convivem normalmente conosco o que é mais grave, pois a qualquer momento podemos ser seduzidas(os) por eles ou elas. Então, me pego constantemente naquela tão chamada dúvida Socrática e de posse do exercício da maiêutica passo a perceber a síndrome psicopáticas e de prostitutos de valores invertidos estampados na carne do cidadão comum, dito do bem se metamorfoseando em político profissional como um belo Camaleão ou uma linda borboleta . Um “Ser” a ser seguido, imitado. São indivíduos que clamam por justiça, rotam ética, são imbuídos de espíritos coletivos e de princípios de alteridade, são inteligentes e estrategistas, muitos parecem ser justos. Em meio a esse teatro que culmina com espetáculo e poder, sedução e tal feitiço me faz indagar qual é a relação entre política, estética e ética? Política e casamento? Política e religião? Política e família? Política e escola?. Tenho tentado e estou aprendendo a ser “Ser Humano” francamente não tem sido fácil, quando a experiência me aponta e a teoria me diz que não há como se tornar um ser humano sem conviver, relacionar. A convivência com valores éticos, morais, estético sociais... isso nos torna humanos. Infelizmente na sociedade atual, as pessoas que pautam sua vida por princípios de vida consistentes e por valores são cada vez mais raras. Necessitamos de homens e mulheres que verdadeiramente sejam exemplos de vida que auxiliem nesta difícil tarefa. Segundo a concepção de Piaget, reforçada por Edgar Morin, os estágios evolutivos da consciência moral são: anomia, heteronomia, socionomia e autonomia. A anomia se caracteriza pela ausência total de leis. O indivíduo age meramente por prazer, fugindo de qualquer perspectiva de dor. A heteronomia já acontece o reconhecimento da lei no outro, que pode ser o pai, o professor... o respeito á regra se dá por medo da punição. No estágio socionômico manda o grupo, que define a regra de sobrivivência nele (fase adolescente) Finalmente o estágio da autonomia, auge da consciência moral madura, que se reflete na assunção da lei como necessária e fundamental na construção da personalidade e da relação social positiva. Entre nós, muitos adultos do ponto de vista moral ainda se situam na anomia e vivem entre o espetáculo e o poder da arte da politicagem é por essas e outras configurações da representação desse mundo que ora e outra sinto uma inquietação, caio, enrolo a perguntar:: Será que um mundo melhor é possível?








AlHos e BuGalHos: SchOpEnHaUeR

domingo, 12 de setembro de 2010

CHeiRo, CoR e ImAgEM: "TudO que é SóliDo se DesmanChA no Ar"



É fantástico como os filósofos se apropriavam de metáforas criando imagens usando esse recurso da literatura para servir a filosofia nos levando a filosofar. Quando Marx disse que: “Tudo que é sólido se desmancha no ar” provavelmente instigou a quietude daqueles que acreditavam nas coisas permanentes, estáticas e aparentemente sólidas. Pois, para alguns o que é sólido não se desmancha no ar. Segundo o Filósofo Paulo Ghiraldelli Jr essa frase é do Manifesto Comunista (1848) foi cantada aos quatro ventos em todos os continentes. Ela foi cunhada pela genialidade literária de Marx para caracterizar a modernidade, para mostrar como que os então denominados “os burgueses” haviam mudado a face do mundo, e que aquele mundo em que ele pisava já era o produto da poeira do que havia sido considerado sólido. Os próprios “burgueses” não haviam se dado conta de que haviam movido o mundo de um modo perigosamente irreversível, e que as revoluções que apoiaram, com fé ou a contragosto, poderiam não parar mais. E isso valia, na mente de Marx, para o sólido literal e o sólido metafórico. Idéias sólidas teriam tanta precariedade quanto às coisas materiais sólidas. Se remetermos aos dias de hoje podemos constatar a poeira daquilo que já tinha sido sólido como: os relacionamentos, o papel da família, os valores, as questões ambientais, a função da Escola , o Estado, a função da política, a Religião e tantas outras idéias, instituições que estão se desmanchando no ar como uma bolha de sabão ou como uma flor do campo, Marx tinha razão.



sexta-feira, 10 de setembro de 2010

TeMpo de ManGa VeRdE: TemPo, TeMpo...


O que é o tempo para Santo Agostinho ?


Santo Agostinho vai dividir o tempo em três partes: passado, presente e futuro. Segundo Santo Agostinho, os tempos, existem na mente o que , em sua doutrina, equivale a dizer “na alma”. O passado não existe mais; sua existência só é possível na alma do ser humano, por meio da memória. É essa potencialidade que permite que as coisas passadas venham novamente à nossa presença. Apenas a recordação, portanto, é que torna possível falarmos de um tempo passado. O presente é o conjunto de nossas sensações e pensamentos do momento aquilo que percebemos diante de nós e o que estamos cogitando; é a percepção e a consciência. Finalmente, o futuro é a espera: nossas previsões, nossas esperanças, e nosso conhecimento sobre as conseqüências previsíveis de determinados atos. Então, Santo Agostinho conclui que existem, pois estes três tempos na nossa mente lembrança presentes das coisas passadas, visão presente das coisas presentes e esperança presente das coisas futuras. Assim, o tempo flui incessantemente, vindo do futuro em direção ao passado, atravessando o presente.
                      Confissões, Santo Agostinho.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Flores e Cores : A ArTE dA PruDêNCiA

O livro A Arte da Prudência , publicado originalmente em 1647, na Espanha, foi escrito por Baltasar Gracián com o intuito de oferecer aos homens do seu tempo um guia para ajudá-los a se desemaranhar nos labirintos das intrigas, das dúvidas e das maledicências cotidianas. Convido, portanto, o leitor a se deitar numa rede e deslizar docemente até aquele estado de graça necessário para enfrentar, como o devido destaque, a leitura de Gracián. Veja um dos aforismos que selecionei para refletirmos diante dessa imagem tão linda da natureza humana em dia de domingo.

NÃO VIVER COM PRESSA.

Saber distribuir o tempo é saber aproveitá-lo. Para muitos sobra vida e falta felicidade. Desperdiçam as alegrias por não saber saboreá-las. Quando estão á frente, gostariam de voltar atrás. Querem comer em um dia o que só poderão digerir em toda a vida. Vivem os prazeres apressadamente, devoram os anos que estão por vir e, como fazem tudo às pressas, logo acabam com tudo. Até no desejo de conhecimento é preciso moderação para que as coisas não sejam mal aprendidas. Há mais dias que alegrias. Por isso, faça depressa e desfrute devagar. O efeito é  melhor do que opor fazer, mas as alegrias, uma vez acabadas, ficam muito pior.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Doce de Sal : O sentido do SeR

Como é belo o pensamento  de Rachel de Queiroz para refletirmos sobre o Sentido do Ser a partir do pensamento de Heidgger. Temos diante de nós algo para ser refletido, algo que também pertuba a escritora Rachel de Queiroz o  que o filósofo  Heidgger irá tratar de: O despertar pela angústia, segundo ele analisando a vida humana  conseguiu descrever etapas básicas que marcam a existência e que, para a maioria dos homens, culminam numa existência inautência: o fato da existência - somos lançado no mundo; o desenvolvimento da existência ( o ser humano estabelece relações com o mundo); estamos sempre em busca daquilo que ainda  não somos , ou seja existir é construir um projeto; a destruição do eu  - o homem sofre a interferência de uma série de fatores adversos que o desviam de seu caminho existencial, trata-se do eu com os outros. Enfim, o homem em vez de tornar-se si mesmo, o homem torna-se aquilo que os outros desejam. Pensar sobre a angústia revela a nossa impessoalidade no cotidiano, o nosso abandono, ver o nosso próprio eu diante da opressão do mundo como um todo. Esse é um grande desafio para o ente(existência) do ser humano.  Heidegger (Fundamentos da Filosofia - Gilberto Cotrim)

domingo, 29 de agosto de 2010

DoCe e AmArga LiBerDadE ! IcaRo e FerNão CaPeLo GaiVoTa

Um dos fílósofos de nosso tempo, o que mais se dedicou a pensar a liberdadade foi o Francês Jean -Paul Sartre, para ele a liberdade é o próprio fundamento do ser  do homem. Ela está na raiz de seu comportamento, porque sempre temos que escolher Quem não se lembra da história de Fernão Capelo Gaivota? tudo que ele queria era voar  no sentido metáforico, ser livre, romper,o que aconteceu com ele?
e mais distante ainda lá na Grécia, qual era o sonho de Icaro? voar, voar, voar, subir, subir... Sempre a filosofia e a arte estão próximas, filosofia enquanto ferramenta do pensar pode nos auxiliar a entender melhor a liberdade e arte remexe nossas emocões, sentimentos essencialmente humano. A filosofia nos leva a refletir a questão da liberdade com várias cores, nuances e sabores como: Liberdade e determinismo, será que somos realmente livres? existe destino? Liberdade e escolha:  Será que podemos escolher tudo que queremos? será que posso escolher "mais ou menos" ? Liberdade e situação: o que é liberdade? liberdade é escolha? Liberdade e responsabilidade: Somos responsáveis por aquilo que escolhemos? Liberdade e sociedade: a minha escolha interfere na vida do outro? sou livre sozinho? é por essas e outras questões que Sartre afirma que é quando escolho que me torno humano,e escolho não apenas a mim, mas a toda a humanidade.

domingo, 22 de agosto de 2010

domingo, 15 de agosto de 2010

DoReS eXisTeNcIaiS: CoMiDa De ALmA


A relação entre filosofia e literatura transcende os limites segmentados, departamentalizados e provocam o rompimento dos saberes dogmáticos, revelando uma aproximação entre elas, permitindo diálogo e um perfeito encontro de interlocução que ora se completam e se fundem. Se não for pela beleza da sensibilidade que determinados escritores nos apresentam a vida a ponto de nos questionarmos : E a vida que imita a arte ou arte que imita a vida? Ou pelo simples fato de fazermos uma ginástica com o pensamento conduzidos pelas marcas deixadas em textos literários por grandes filósofos ? Desvendando mistérios e construindo outros? Talvez seja simplesmente pelo fato das duas áreas de saberes desbanalizar o que nos parece banal ? aqui então entramos no campo da Filosofia ou da Literatura ? Seja qual for a resposta o perguntar é sempre importante, problematizar é necessário para construirmos novos conceitos, rever outros, veja   a crônica de Nina Horta e sinta o desconforto que ela provoca e a beleza do encontro da Literatura e a Filosofia com o tema: Comida da Alma.

Comida de alma é aquela que consola, que escorre garganta abaixo quase sem precisar ser mastigada, na hora de dor , de depressão, de tristeza pequena. Não é, com certeza, um leitão pururuca, nem um menu nouvelle seguido à risca. Dá segurança, enche o estômago, conforta a alma, lembra a infância e o costume. É a canja de mãe judia, panacéia sagrada a resolver os problemas de náusea existencial. O macarrão cabelo-de-anjo cozido mole e passado na manteiga. O caldo de galinha gelatinoso, tomado às colheradas. São as sopas. O leite quente com canela, o arroz-doce, os ovos nevados, a banana cozida na casca, as gelatinas, o pudim de leite. Nora Ephron, autora de A difícil arte de amar, com o casamento acabado, grávida, enjoada, traída, vota pelo consolo de batata: “Nada como um bom purê quando se está deprimido. Nada como ir para a cama com um prato fundo de batata já saturada de manteiga e metodicamente ir adicionando mais uma fatia fina de manteiga a cada garfada.


Comida da alma tem de ser neutra. Sorvete é comida de alma? Não é. Tem um pique gelado que a tristeza não suporta. A temperatura deve estar entre ambiente e morna. Chocolate vale? Não, nem pensar. É sexy, sedutor, pressupõe prazer e culpa. Tudo tem de ser especial na comida de alma. Tia Léonie de Proust comia seus ovos de creme em pratos rasos, com desenhos e legendas. Punha os óculos e decifrava contente: “Ali Babá e o quarenta ladrões”, ou “Aladim e a lâmpada maravilhosa”. O mingau de aveia ou fubá pode ser em prato fundo, o quadrado de manteiga se derretendo por cima. O leite em boa caneca grossa, o chá em xícara inglesa florida, e, para os casos extremos, a mamadeira, é claro. A comida, de preferência, deve ser bebida aos goles ou tomada de colher. A faca é quase sempre supérflua. Um livro português trata do assunto, mostrando que a preocupação com comidas de alma vem de longe. É O cozinheiro indispensável ( Porto, 1844), que traz um subtítulo enigmático: Guia prático dos enfermos pobres, dos doentes ricos e dos convalescentes remediados. Dá receitas como o caldo conformativo, uma papinha pastosa, de se comer com lágrimas nos olhos.

(HORTA, NINA. Não é sopa – crônicas e receitas de comida. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. P 15 -6)